Hoje no ônibus, uma mulher paga a passagem e passa pela roleta e senta em um lugar vago, ocupando completamente o seu assento e metade de outro ao lado. Abre sua bolsa e retira um pequeno saco plástico e joga no chão do ônibus. Em seguida, remexe dentro da bolsa e agora é a vez de uma embalagem de bala, que passa a fazer companhia ao outro lixo no piso do veículo. Tudo numa naturalidade tamanha.
Ontem no trem, o trabalhador ao meu lado comia um pastel gorduroso, adicionado de ketchup que era transportado em seu bolso. A pequena embalagem do molho é lançada nos trilhos, num simples movimento do homem levantar o braço e encurvar sua mão para trás em direção à janela aberta. Continuava olhando para a frente e comendo o seu pastel, envolto num guardanapo e num saco de papel, os quais também não seguem viagem e ficam no meio do caminho, lá pelos trilhos. Caso ele estendesse o braço para a sua esquerda ao invés de para trás, o lixo estaria dentro de uma lixeira.
Um certo dia no trem, após ler um anúncio que carregava, o rapaz o amassa, fazendo dele uma bolinha de papel a fim de ser arremessada para fora do transporte. Poucos minutos se passam. Ele retira seu MP3 do bolso e encaixa o fone e aperta um botão. Retira a pilha descarregada do aparelho e a joga pela janela. Pegue uma nova pilha do bolso para ser plugada no MP3. Não havia lixeiras nesse vagão, mas por que não guardá-la no bolso no lugar da outra?
Isso quando não acham que temos que ver essas cenas ao som de funk. Porque agora virou moda não usar mais fone de ouvido com o celular. O indivíduo compartilha o pancadão com todo o transporte coletivo por conta própria. Ninguém pede. Ele somente parte do princípio que todos devem ouvir o mesmo som que ele durante toda a viagem.
São cenas do meu dia-a-dia. Não tento mais entendê-las. Não acredito numa revolução humana - pelo menos, não para essas pessoas. Como diz um certo blogueiro, "a humanidade não deu certo". E sinceramente, dá nojo.
11 novembro 2008
06 novembro 2008
para graves problemas, simples soluções
Há momentos que me sinto passando por uma certa crise. Não crise existencial, sexual... As desse tipo são minhas companheiras fiéis. Podem se ausentar de vez em quando, dando uma folga para si [e para mim], mas são filhas pródigas e sempre voltam para o papai aqui. Acolho-as mesmo sabendo que irão tirar novas férias em breve. É quase o ciclo da vida que Mufasa explicou para o Simba quando este ainda era um filhote e esperava euforicamente o seu reinado.
Mas não são essas crises. Falo de uma crise, digamos, na falta de um termo melhor, "cinematográfica". São fases as quais não me sinto um bom receptor da arte. Ou um receptor insensível, imaturo, desprovido de maiores emoções, incapaz de perceber o que um filme tem de bom ou de sentir seja lá qual sensação ele possa causar. É como uma maré de falta de percepção artística. Não digo só em não notar as qualidades técnicas do filme, mas de ser tocado, de sentir prazer, de ser atingido por algo aquém da minha realidade. É claro que o prazer vem quando me deparo com um bom filme. Isso é tão óbvio quanto dois mais dois é igual a quatro. Todavia, porém, entretanto, há filmes que tem qualidade técnica, nenhum problema gritante, uma boa história e blá blá blá, mas ainda assim sinto-me distante do que assisto.
Um dia desses falava com a Suzana: "Os filmes do Hitchcock são bem bons, mas quando termina parece que não vi mais que uma boa história bem filmada". Isso é meio crítico - quero dizer, talvez eu me "critique" por isso -, principalmente por se tratar de Hitchcock, o grande Hitchcock - e, de fato, não duvido da sua grandeza. Mas acontece, né? Acontece com você também? O problema vem com uma correnteza de filmes desse naipe e daí explode a crise. Porque assistir um, dois filmes consecutivos e se deparar com essa questão, tudo bem. Mas quando se vê cinco filmes e percebe isso com todos, você acaba achando que o problema não estão nos filmes, mas em você.
Eu me encontrava assim.

E aí ontem eu fui assistir Linha de Passe.
Assisti também Baby Love, mas não é desse que quero falar, ainda que tenha sido bem agradável e divertido. Pra falar a verdade, também não quero resenhar sobre Linha de Passe, pois não conseguiria. Não tem coisa mais falível que transpor emoções em palavras. Seria incapaz de escrever o quanto Linha de Passe me atingiu, mas posso dizer que ao sair do cinema, a vida de cada personagem do filme ainda se misturava à minha. Ainda estava vibrante por alguns e triste pelas atitudes que outros tomaram contra a sua vontade. Se pude ser tocado pela beleza artística das imagens feitas por Walter Salles e Daniela Thomas, sou atingido da mesma forma pela história contada. Não é um filme sobre miséria, pobreza, desigualdade social, mas sobre ausências, esperança, sonhos, conquistas, desamparo. São paradoxos que permeiam a vida daqueles cinco humanos tão distantes se vistos isoladamente, mas tão próximos pela relação familiar e afetiva. E digo "humanos" ao invés de "personagens" pois a simplicidade com a qual a realidade é mostrada, seja pela atuação dos atores, seja pelos conflitos, é o que faz de Linha de Passe um filme envolvente e tocante até o último frame.
Quanto a edição, fotografia, trilha sonora, minúcias da direção e essas coisas, deixo para quem entende melhor que eu. E não são sobre esses detalhes que precisava falar, ainda que esses detalhes tenham contribuído imensamente para a minha impressão do todo. O mais importante é que me deparei com aquele tipo de filme que justifica o meu amor por cinema e faz dele uma arte completa.
Assim, sinto-me longe de uma crise por um bom tempo. =)
Mas não são essas crises. Falo de uma crise, digamos, na falta de um termo melhor, "cinematográfica". São fases as quais não me sinto um bom receptor da arte. Ou um receptor insensível, imaturo, desprovido de maiores emoções, incapaz de perceber o que um filme tem de bom ou de sentir seja lá qual sensação ele possa causar. É como uma maré de falta de percepção artística. Não digo só em não notar as qualidades técnicas do filme, mas de ser tocado, de sentir prazer, de ser atingido por algo aquém da minha realidade. É claro que o prazer vem quando me deparo com um bom filme. Isso é tão óbvio quanto dois mais dois é igual a quatro. Todavia, porém, entretanto, há filmes que tem qualidade técnica, nenhum problema gritante, uma boa história e blá blá blá, mas ainda assim sinto-me distante do que assisto.
Um dia desses falava com a Suzana: "Os filmes do Hitchcock são bem bons, mas quando termina parece que não vi mais que uma boa história bem filmada". Isso é meio crítico - quero dizer, talvez eu me "critique" por isso -, principalmente por se tratar de Hitchcock, o grande Hitchcock - e, de fato, não duvido da sua grandeza. Mas acontece, né? Acontece com você também? O problema vem com uma correnteza de filmes desse naipe e daí explode a crise. Porque assistir um, dois filmes consecutivos e se deparar com essa questão, tudo bem. Mas quando se vê cinco filmes e percebe isso com todos, você acaba achando que o problema não estão nos filmes, mas em você.
Eu me encontrava assim.

E aí ontem eu fui assistir Linha de Passe.
Assisti também Baby Love, mas não é desse que quero falar, ainda que tenha sido bem agradável e divertido. Pra falar a verdade, também não quero resenhar sobre Linha de Passe, pois não conseguiria. Não tem coisa mais falível que transpor emoções em palavras. Seria incapaz de escrever o quanto Linha de Passe me atingiu, mas posso dizer que ao sair do cinema, a vida de cada personagem do filme ainda se misturava à minha. Ainda estava vibrante por alguns e triste pelas atitudes que outros tomaram contra a sua vontade. Se pude ser tocado pela beleza artística das imagens feitas por Walter Salles e Daniela Thomas, sou atingido da mesma forma pela história contada. Não é um filme sobre miséria, pobreza, desigualdade social, mas sobre ausências, esperança, sonhos, conquistas, desamparo. São paradoxos que permeiam a vida daqueles cinco humanos tão distantes se vistos isoladamente, mas tão próximos pela relação familiar e afetiva. E digo "humanos" ao invés de "personagens" pois a simplicidade com a qual a realidade é mostrada, seja pela atuação dos atores, seja pelos conflitos, é o que faz de Linha de Passe um filme envolvente e tocante até o último frame.
Quanto a edição, fotografia, trilha sonora, minúcias da direção e essas coisas, deixo para quem entende melhor que eu. E não são sobre esses detalhes que precisava falar, ainda que esses detalhes tenham contribuído imensamente para a minha impressão do todo. O mais importante é que me deparei com aquele tipo de filme que justifica o meu amor por cinema e faz dele uma arte completa.
Assim, sinto-me longe de uma crise por um bom tempo. =)
04 novembro 2008
piorou de vez...!
"Projeto do Senado proíbe meia-entrada nos finais de semana e feriados" [notícia na íntegra]
Mas que porra é essa?
Talvez você soubesse disso há mais tempo que eu, mas como vivo num mundo paralelo, só tive conhecimento da notícia hoje. E fiquei assim, um tanto puto, para ser mais objetivo.
Por que esses senadores querem mexer justamente na lei que mais me beneficia? Eu quase não vou ao cinema final de semana, é verdade, mas pode acontecer. É justamente o dia em que o preço é abusivo. Fico com dó de quem tem que pagar R$ 16/18 para assistir a um único filme. Eu não pagaria isso nem por uma sessão especial de Magnólia no melhor cinema do Rio de Janeiro. O que é mentira, claro. Mas os ingressos de cinema estão absurdamente caros. Talvez esteja sendo um tanto egoísta e partindo do princípio que manter um cinema, principalmente os de rua, seja fácil. Mas semana passada paguei R$ 7,50 em plena segunda-feira! E o pior: a sala era feia, tela pequena e som ruim [estou falando do Rio Sul]. E ainda tem gente que compra aqueles combos de pipoca e refrigerante, o que faz de uma simples ida ao cinema um pique-nique de luxo e incomoda as pessoas, porque que barulho chato da porra faz aquele saco de pipoca! Fica uma orquestra de barulhos durante o filme. Ainda taco na cara de um.
E a notícia, pois então... Uma das propostas é criar a Carteira de Identificação Estudantil, o que seria um documento padrão para os estudantes e isso sim é uma boa solução para acabar com as carteiras falsificadas. Algo que sem dúvida deve ser combatido, tanto que é basicamente por elas que o Senado está tendo esse equívoco de restringir a meia-entrada aos dias úteis. São coisas que andam separadas, não acham? O valor total do ingresso aos finais de semana não soluciona nada e só beneficia as grandes redes [o que, volto a dizer, não devem sair no prejuízo por esse tipo de crime]. A carteira falsa ainda poderá ser usada em todos os outros dias. Ou seja, o que deve ser combatido, não será combatido.
Para shows e afins, é engraçado que a meia-entrada fica restrita às segundas, terças e quartas-feiras. Agora me diga se você já foi a algum show em um desses dias da semana. Pode ter ido, mas não foi a maioria, com certeza. Sem condições pagar R$ 80/100 para um show e peça de teatro! Eles disseram que se a lei entrar em vigor, o preço dos ingressos vão cair. Você acredita? Eu não. Justamente agora que iriam faturar mais, o preço terá uma queda de, digamos, 30%, assim, bruscamente? Duvido. Isso não faz parte do sistema.
Com essa lei ou não, estou me dando conta que terei que ser estudante para o resto da vida.
Mas que porra é essa?
Talvez você soubesse disso há mais tempo que eu, mas como vivo num mundo paralelo, só tive conhecimento da notícia hoje. E fiquei assim, um tanto puto, para ser mais objetivo.
Por que esses senadores querem mexer justamente na lei que mais me beneficia? Eu quase não vou ao cinema final de semana, é verdade, mas pode acontecer. É justamente o dia em que o preço é abusivo. Fico com dó de quem tem que pagar R$ 16/18 para assistir a um único filme. Eu não pagaria isso nem por uma sessão especial de Magnólia no melhor cinema do Rio de Janeiro. O que é mentira, claro. Mas os ingressos de cinema estão absurdamente caros. Talvez esteja sendo um tanto egoísta e partindo do princípio que manter um cinema, principalmente os de rua, seja fácil. Mas semana passada paguei R$ 7,50 em plena segunda-feira! E o pior: a sala era feia, tela pequena e som ruim [estou falando do Rio Sul]. E ainda tem gente que compra aqueles combos de pipoca e refrigerante, o que faz de uma simples ida ao cinema um pique-nique de luxo e incomoda as pessoas, porque que barulho chato da porra faz aquele saco de pipoca! Fica uma orquestra de barulhos durante o filme. Ainda taco na cara de um.
E a notícia, pois então... Uma das propostas é criar a Carteira de Identificação Estudantil, o que seria um documento padrão para os estudantes e isso sim é uma boa solução para acabar com as carteiras falsificadas. Algo que sem dúvida deve ser combatido, tanto que é basicamente por elas que o Senado está tendo esse equívoco de restringir a meia-entrada aos dias úteis. São coisas que andam separadas, não acham? O valor total do ingresso aos finais de semana não soluciona nada e só beneficia as grandes redes [o que, volto a dizer, não devem sair no prejuízo por esse tipo de crime]. A carteira falsa ainda poderá ser usada em todos os outros dias. Ou seja, o que deve ser combatido, não será combatido.
Para shows e afins, é engraçado que a meia-entrada fica restrita às segundas, terças e quartas-feiras. Agora me diga se você já foi a algum show em um desses dias da semana. Pode ter ido, mas não foi a maioria, com certeza. Sem condições pagar R$ 80/100 para um show e peça de teatro! Eles disseram que se a lei entrar em vigor, o preço dos ingressos vão cair. Você acredita? Eu não. Justamente agora que iriam faturar mais, o preço terá uma queda de, digamos, 30%, assim, bruscamente? Duvido. Isso não faz parte do sistema.
Com essa lei ou não, estou me dando conta que terei que ser estudante para o resto da vida.
28 outubro 2008
última parada 174
Por mera coincidência, quando saí do cinema, o primeiro ônibus ao qual fiz sinal foi o 175. Felizmente, nenhum Sandro subiu em seguida na condução e a última parada que o 175 realizou, foi na Central do Brasil, onde estava previsto. Durante a viagem, passei por alguns cenários que acabara de ver naquele filme, em especial a Candelária, e continuei pensando sobre tudo que havia assistido.Tinha ouvido e lido por aí opiniões não-favoráveis a Última Parada 174. Um típico comentário negativo era o assalto ao tal ônibus se resumir a uma pequena cena do filme - e ainda ser guardada para os últimos minutos da projeção. De fato é o que acontece - apesar de ter durado mais do que eu imaginava. Mas, não fato, apenas impressão pessoal, era o melhor a se fazer.
Quando fiquei sabendo que Bruno Barreto iria dirigir um filme [ponto negativo 1] ficcional sobre a história do Sandro do Nascimento [ponto negativo 2] e seria refilmado o episódio do ônibus 174 [ponto negativo 3] torci o nariz. Imaginei que o filme se proporia a ser uma mera transposição daquele assalto verídico, visto por todos inúmeras vezes, a uma encenação que, por mais próxima aos acontecimentos reais, não atingiria o público como fazem as imagens reais. Eu não via o menor sentido nessa proposta, nessa recriação e, ufa, não é essa a proposta do filme. No fim das contas, acho o tempo que o assalto ao ônibus ocupa na tela ideal e o modo de realização da cena eficiente.
E até chegar ao gran finale, Última Parada 174 mostra uma história bem construída repleta de licença poética, inserindo personagens fictícios em meio a trajetória de Sandro, colocado no papel de vítima da desigualdade social, da falta de família, da criminalidade, da falta de incentivo e apoio, de um sistema de recuperação deficiente e o que mais você quiser. E isso é óbvio [nem precisava um personagem do filme dizer em certo momento, como inutilmente ocorreu], mas ainda há o direito de escolha de Sandro e nada o que sofreu é justificativa para o que protagonizou. Quando há oportunidades de mudanças, não são nelas que ele se refugia. Mas esperar que tome com facilidade uma atitude diferente a esta é muito fácil para quem está do outro lado, como eu e você.
Contendo essas questões sociais que você já viu retratadas em outros longas brasileiros de mesmo aspecto, o filme se mantém interessante ao articular os personagens e desenvolver de forma positiva o envolvimento entre eles - até pensei em certo momento durante a sessão que o filme funcionaria bem independente de tentar mostras fatos reais, devido a trama bem construída que o roteiro oferece. Bruno Barreto me surpreendeu positivamente [seus últimos filmes fiz questão de manter distância] apesar de alguns descuidos que comete, como por exemplo na primeira cena de sexo de Sandro e Soninha, envolvida por uma trilha sonora totalmente desconexa com as imagens vistas e um zoom esquisito demais num cobertor que ocupa toda a tela mais tempo do que deveria. Não posso deixar de citar também um ônibus super-moderno [curiosamente é da empresa Amigos Unidos, a mesma da linda 174 - e a mesma que pego todos os dias para ir a faculdade, mas isso é um mero detalhe] que passa próximo à Candelária em pleno ano de 1983.
Última Parada 174 me trouxe à tona novamente a realidade a qual estou inserido [não que eu consiga dela me abster por muito tempo] e pareceu-me bem melhor do que imaginava. Mas mesmo para mim que não assisti o documentário de José Padilha - o que pretendo corrigir o mais breve possível - o filme soa esquecível e pequeno se comparado a produções brazucas de mesmo teor. E quanto ao Oscar, mais uma vez o Brasil está longe de ganhar um.
22 outubro 2008
conversa afiada
...da série: "Eu não precisava saber disso"
No trem lotado, uma moça e um rapaz conversam ao meu lado.
- Ai, eu gostei daquele novinho.
- Fica com ele.
- Eu já fiquei com ele. Bem, não foi ficaaaaar, mas fiquei.
- Ah, então é mais fácil ainda.
- Vai ter aquela festa e ele me chamou. Eu perguntei se o primo dele irá com a namorada. Ele deve achar que quero até ficar com o primo dele, mas não. É que se for uma festa que ele não pudesse levar a namorada, com certeza não seria uma festa decente. Eu perguntei "Você levaria a sua namorada para uma suruba?". Ele disse que não. Então deve ser uma festa tranquila, posso ir... Demorei tanto para reconstruir minha imagem.
Alguém passa a mão na minha bunda, mas como o trem tá cheio, relevo. Minutos depois, ela acrescenta:
- Ai, mas eu adorei aquele novinho.
Conclusão: ela quer dar para o novinho - de preferência numa suruba.
***
...da série: "eu não podia dizer outra coisa"
No ponto de ônibus, eu mais uma velhinha com as mãos ocupadas com sacolas de compras:
- Você vai pegar o Delamare?
[Delamare é um ônibus, não um homem]
- Não.
- É que eu ia pedir para você fazer sinal para mim.
- Tá, se eu estiver aqui ainda, eu faço.
- Ah, faz? Obrigado.
- Mas por que a senhora não coloca as sacolas no chão?
- É, é melhor. - ... - Eu pedi para meu marido vir me buscar de carro mas ele não quis.
- É, para isso eu não tenho nenhuma solução.
Conclusão: ela irá de ônibus para a casa e achou que, por algum motivo, eu precisava saber que ela não tem feito a vontade do marido na cama.
No trem lotado, uma moça e um rapaz conversam ao meu lado.
- Ai, eu gostei daquele novinho.
- Fica com ele.
- Eu já fiquei com ele. Bem, não foi ficaaaaar, mas fiquei.
- Ah, então é mais fácil ainda.
- Vai ter aquela festa e ele me chamou. Eu perguntei se o primo dele irá com a namorada. Ele deve achar que quero até ficar com o primo dele, mas não. É que se for uma festa que ele não pudesse levar a namorada, com certeza não seria uma festa decente. Eu perguntei "Você levaria a sua namorada para uma suruba?". Ele disse que não. Então deve ser uma festa tranquila, posso ir... Demorei tanto para reconstruir minha imagem.
Alguém passa a mão na minha bunda, mas como o trem tá cheio, relevo. Minutos depois, ela acrescenta:
- Ai, mas eu adorei aquele novinho.
Conclusão: ela quer dar para o novinho - de preferência numa suruba.
***
...da série: "eu não podia dizer outra coisa"
No ponto de ônibus, eu mais uma velhinha com as mãos ocupadas com sacolas de compras:
- Você vai pegar o Delamare?
[Delamare é um ônibus, não um homem]
- Não.
- É que eu ia pedir para você fazer sinal para mim.
- Tá, se eu estiver aqui ainda, eu faço.
- Ah, faz? Obrigado.
- Mas por que a senhora não coloca as sacolas no chão?
- É, é melhor. - ... - Eu pedi para meu marido vir me buscar de carro mas ele não quis.
- É, para isso eu não tenho nenhuma solução.
Conclusão: ela irá de ônibus para a casa e achou que, por algum motivo, eu precisava saber que ela não tem feito a vontade do marido na cama.
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